Psychoanalysis A triumph of Pseudoscience
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Histeria, Neurose e Perversão
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952012000200011
- Fantasisas histéricas inconscientes correspondem completamente às situações em que a satisfação é conscientemente obtida pelos perversos.
Sexualidade (Freud e Lacan)
Deparando-se com o fato inarredável da universalidade das chamadas perversões sexuais em seus pacientes, Freud conclui que a sexualidade humana apresenta uma verdadeira “constituição sexual” que assume o lugar de uma “disposição neuropática geral”, formulação através da qual ele torna inexistente a fronteira entre o normal e o patológico, tão nitidamente demarcada pelos discursos médico e psicológico.
Se com os relatos de suas pacientes histéricas Freud partira da idéia da ocorrência de uma sedução e de um “trauma sexual infantil”, ele desembocou, através da revelação da existência das fantasias sexuais nessas pacientes, na noção de “infantilismo da sexualidade”, isto é, de que a sexualidade é sempre traumática enquanto tal, e isto para todo e qualquer sujeito.
Lacan veio a nomear essa passagem fundamental da obra freudiana como sendo a concepção do trauma como contingência, isto é, não se trata de que tenha havido trauma sexual na infância do sujeito, mas sim de que a estrutura da sexualidade é, ela própria, sejam quais forem os acontecimentos históricos, essencialmente traumática:
Sedução (trauma sexual infantil) --> Fantasia (sexo traumático)
- A sexualidade humana é pulsional e não instintual.
- O pulsional sexual continua pressionando o corpo, independente de qualquer orgasmo fisiológico, pois a sua origem não está no somático e sim no inconsciente.

Repressão e Recalque
- O recalque diferente da repressão pois independe de uma ação externa coercitiva.
- A repressão é, ela mesma, um efeito de existir o recalque.
RECALQUE:
Operação pela qual o individuo procura repelir ou manter no inconsciente representações ligadas a uma pulsão.
Para Freud a teoria do recalque e da resistência constitui uma descoberta e não uma premissa da psicanálise. Ela é uma “inferência teórica legitimamente extraída de inúmeras observações”.
O recalque ocorre entre diferentes sistemas psíquicos, produzindo a mudança de algum elemento de um sistema para o outro.
O recalque pode ser decomposto em três fases distintas:
A fixação
Precede e condiciona todo o recalque. Como uma pulsão ou algum componente pulsional permanece imobilizado num estádio infantil, essa corrente libidinal passa então a se comportar como uma corrente que pertence ao sistema inconsciente, como uma corrente recalcada. É nas fixações que reside a predisposição à patologia posterior, pois em relação à etapa subsequente elas funcionam como um resto passivo que ficou para trás.
“uma primeira fase do recalque, que consiste em negar entrada no consciente ao representante psíquico (ideacional) da pulsão
O recalque propriamente dito
O retorno do recalcado
As 3 Personalidades
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O Neurótico ao identificar o “incomodo” na sua realidade, ele recalca, isto é, abafa a ideia no inconsciente. É importante salientar que essa ideia pode voltar recorrentemente forçando o individuo a recalcar novamente, processo este, que é mentalmente exaustivo.
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O Psicótico lida com o “incomodo” tornando ele externo, projetando na realidade a sua volta o problema (até criando representações metáfisicas desses problemas, como as alucinações).
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O Perverso ele lida com o “incomodo” tentando moldar a realidade em volta dele (mesmo sabendo que isso afeta os outros, ele não se importa).
Bissexualidade
A primeira noção, pontual e sem maior problematização, feita por Freud à bissexualidade ocorre em uma de suas cartas (6.12.1896 - carta 52):
“Para explicar por que o efeito [da experiência sexual prematur] é ora a perversão, ora a neurose, valho-me da bissexualidade de todos os seres humanos”.
Outra passagem interessante:
“Mas a bissexualidade! É claro que você tem razão quanto a ela. Estou me acostumando a encarar cada ato sexual como um processo em que há quatro indivíduos envolvidos”
Wilhelm Fliess teve grande influência na concepção da Bissexualidade de Freud (como o mesmo admitiu publicamente). Para Freud a bissexualidade importa enquanto fator psicológico decorrente de uma “universalidade a predisposição bissexual”. Para Fliess acha-se em jogo a idéia da “bissexualidade persistente e invevitável de todos os seres vivos” (e não apenas de uma predisposição), pois Fliess considera a bissexualidade sob o plano da biologia geral.
Existe ainda uma relação entre o recalque e a predisposição bissexual como base para a explicação da homosexualidade:
“(…) Bissexualidade a qual, afinal de contas, responsabilizamos pela tendência ao quecalque”.
“(…) O recalque e as neuroses, e portanto, a independência do inconsciente, pressupõem a bissexualidade”.
A teoria da bissexualidade manifesta sua importância para Freud especialmente no sentido de fornecer uma explicação para o frequente comparecimento da ***corrente homossexual latente ***nos neuróticos submetidos à análise, assim como da homossexualidade manifesta.
Em “Fantasias histéricas e sua relação com a bissexualidade” Freud encerra destacando:
“O significado bissexual de sintomas histéricos, demonstrável pelo menos em numerosos casos, é por certo uma prova interessante da afirmação, por mim sustentad, de que a disposição bissexual que supomos nos seres humanos pode se discernida com particular nitidez dos psiconeuróticos por meio da psicanálise
A bissexualidade psicológica para Freud trata-se da oposição entre a heterossexualidade e a homossexualudade, presente para cada sujeito em sua escolha de objeto, pois “aprendemos que todos os seres humanos são bissexuais nesse sentido; que distribuem sua libido, de maneira manifesta ou latente, entre objetos de ambos os sexos”. Senso mais rara a bissexualidade propriamente dita, isto é, a conciliação das duas orientações sexuais sem nenhum conflito, o comum é que cada uma das duas orientações sobrepuje a outro e a mantenha em estado latente.
Freud ainda radicaliza de modo significativo sua concepção no sentido da importância do fator psicológico em detrimento do fator biológico:
“(…) desautorizo sexualizar o recalque dessa maneira, vale dizer, fundá-lo no biológico, em vez de fazê-lo em termos puramente psicológicos”
É em torno da noção de Lacan de objeto alfa que pode precisar o alcance da idéia de bissexualidade para Freud, salientando que não se trata de uma bissexualidade constitucional orgânica, mas sim de falta estrutural de inscrição do objeto do desejo do inconsciente.
O objeto do desejo do sujeito é faltoso por natureza. O desejo humano é causado por um objeto que falta e que, como tal, é reponsável pela estrutura faltosa que produziu o advento simbólico.