“É insuficiente ter espirito bom, o mais importante é aplica-lo bem”.

A verdade não é relativa. Se você acha que a verdade não existe, que é apenas uma mera interpretação, isso se deve ao fato de que: você não sabe usar a sua razão; você não sabe dirigir os seus pensamentos; você não sabe organizar os seus pensamentos. Falta-lhe um método.

O método é o conjunto de regras para bem dirigir a sua razão e seus pensamentos.

Sendo a razão a mesma, o método será o mesmo. Sendo o método o mesmo, a ciência será a mesma.

O método possui um principio básico: só posso considerar verdadeiro, aquilo que for evidente.

Evidente é algo que foi intuído (alcançado via o raciocínio, acerca do qual não pesa nenhuma dúvida) com: distinção, clareza e precisão.

Descartes contexta sistematicamente tudo que parecia óbvio.

Descartes começa questionando a validade de algo que para todos é muito simples: a validade do conhecimento fornecido pelos nossos sentidos. Ele tenta mostrar que os nossos sentidos nos enganam. A premissa é simples: Se reconhecemos que nossos sentidos são capazes de nos enganar uma vez, o que garante que eles não nos enganam completamente? Portanto, isso faz dos nossos sentidos uma fonte não segura de conhecimento. Portanto toda ciência baseada nos sentidos, principalmente aquela com base na observação, está condenada a incerteza.

Se você não pode confiar nos sentidos, logo, não se pode garantir que o que está sendo visto é o que realmente existe, na verdade, nesse ponto, não se pode nem garantir que existe.

Isso causa um problema. Nós entramos em contado com o mundo por intermédio dos sentidos do corpo, mas se os sentidos são duvidoso, como posso garantir que o mundo existe objetivamente?

Se eu sou capaz de duvidar, eu sou capaz de duvidar. Portanto eu existo, enquanto aquele que duvida. E você não pode duvidar que duvida, porque neste momento você já está duvidando. Isto é, a minha capacidade de duvidar é uma certeza.

Portanto, é possível dizer que eu existo, não por causa do meu corpo, não por causa dos sentidos e não é por causa da matemática. É porque ele duvida.

Cogito ergo sum**”**

Eu sou porque cogito. Eu sou porque duvido. Eu sou enquanto duvido. A duvida é o meu atributo. Mas o que é a Dúvida?

A dúvida é o exercício do pensamento, é o exercício da razão, é o exercício da reflexão. Eu sou algo que penso. Penso, logo existo.

Descartes ao submeter sua consciência a todas as dúvidas possíveis, percebe que no fundo só existe uma certeza que é intuitiva, evidente, distinta, clara: a de que ele duvida.

Portanto se existe algo que eu sou, é que sou uma matéria que pensa.

Portanto: “Eu sou um pensamento, eu sou um entendimento, eu sou uma razão, eu sou um ser capaz de pensar e duvidar”. Está é a natureza essencial do homem.

Ao entendimento, ao pensamento e ao espirito, Descartes dá o nome de alma. Neste momento Descartes prova a existência da alma. Portanto a alma é a matéria pensante.

O ser humano é sobretudo sua alma, uma matéria pensante.

Essa certeza de Descartes foi fundamental para fugir do ceticismo. Porque se o ceticismo não dava ao conhecimento segurança nenhuma, estava claro que Descartes precisava encontrar um ponto de segurança, uma pedra fundamental. Ele encontrou isso no cogito, no “penso, logo existo”.

Ainda existe um problema: Não há nada nas coisas que pensamos que seja capaz de garantir sua existência. Isto é, podemos garantir a nossa existência, mas que ideia pode garantir a existência das outras coisas?

Existe então alguma ideia que nos obriga através da razão considera-la existente? Descarte diz que sim, existe. E a ideia é a ideia de Deus.

A ideia de Deus que vem a mente, permite concluir sua existência. Pois quando nos vem a mente a ideia de Deus, nos vem a mente a ideia de algo perfeito, e justamente esse atributo, permite a conclusão que Deus existe.

Independentemente do pensante ser ateu ou religioso, é inegável que ele pode pensar um Deus perfeito.

Ao reconhecer que o que comprova a nossa existência é a capacidade de duvidar, também reconhecemos que somos imperfeitos pois não sabemos de tudo. Se nós duvidamos é porque não somos toda a certeza. A questão é que nós que somos imperfeitos, encontramos dentro de nós a ideia de perfeição. Todos nós encontramos essa ideia.

É inclusive graças a ideia de perfeição que existe dentro de nós, que somos capazes de duvidar.

Como pode ter existido alguém ao longo da história capaz de ter introduzido a ideia de perfeição, se este alguém, também seria imperfeito, visto que somos todos imperfeitos.

É absurda a ideia que eu, um ser imperfeito possa conceber a ideia de perfeição;

O único capaz de introduzir a ideia de perfeição, é um ser perfeito. Porque a ideia de perfeição não faz parte de nós, nossa natureza é a imperfeição.

Portanto, a ideia de um deus perfeito, é uma ideia além de mim e existe independente de mim.

Isso não é uma tentativa de dizer que Deus existe, mas sim de apontar o absurdo lógico que é um ser imperfeito ser capaz de pensar na ideia de um deus perfeito.

Um importante contraponto. Em meio as discussões, Descartes considera a existência de um deus maligno, enganador, capaz de manipular os nossos sentidos para criar falsas certezas, o que tornaria coisas como a matemática por exemplo, uma grande falsa certeza. Entretanto, ao provar a existência da perfeição e demonstrar a existência de um Deus, o autor imediatamente invalida a possibilidade da existência de um Deus maligno, o que torna a matemática verdadeira. A importancia de reconhecer a validade da matemática, está justamente no fato de a matemática ser uma verdade objetiva.

Uma das coisas que mais interessa o autor é o encadeamento racional que o mundo racional parece ter, onde se faz possível encontrar o desconhecido a partir do conhecido, como em uma equação matemática. Isto é, validar o a matemática é também validar o método.

Muitos autores se preocupam em discutir a existência do Mal por conta do incomodo causado pelo questionamento: se um deus perfeito existe, porque existe o mal? Em outras palavras: se deus é perfeito, porque ele me criou imperfeito?

O autor diz que o homem é o meio termo entre Deus e o Nada.

Descartes diz que nossa parte divina, fruto da perfeição, é a vontade. Para o autor, a nossa vontade é a nossa capacidade de julgar e escolher, o livre-arbitrio. Nós também temos a capacidade de entendimento, de conhecer, de buscar a verdade, mas essa capacidade é limitada.

A nossa vontade é ilimitada, mas o nosso entendimento é limitado, por isso, precisamos do método.

As pessoas deveriam submeter todos os seus julgamentos e todas as suas ações à razão, ao entendimento. Entretanto as pessoas gostam de tomar decisões sem refletir clara e distintamente a respeito do que estão decidindo

Se a vontade é ilimitada e a razão é limitada, erramos quando julgamos e escolhemos fora dos limites do entendimento.

Eu me equivoco porque o poder que Deus me deu para discernir o verdadeiro do falso não é infinito em mim.

Entretanto, não ocorre de ninguém ser obrigado a dar juizo sempre de imediato, isto é, somos livres para refletir e exercer nosso entendimento, nossa duvida, nossa razão ao longo do tempo. Assim, se tomamos uma decisão errada e equivocada, por afobação, esse prejuizo é nosso.

Grande conselho de Descartes:

Habitue-se a abster-se de dar opiniões sobre aquilo que você não investigou.


O erro de descartes está em suas interpretações rasas sobre o funcionamento do cérebro humano. Ele insiste na crua ideia de que a racionalidade deve se sobrepor. Você não existe porque você pensa, você não é o que você pensa, muito menos o que pensa exercendo racionalidade e entendimento. Com isso, deve se atentar que o **Racionalismo Cartesiano **parte de uma premissa completamente infundada acerca da separação entre corpo e mente.

Aliás, essa é a principal dor quando se está em uma conversa com um individuo que acredita ser um modelo de razão. Nem mesmo o cientista mais devoto ao método é capaz de se despir das suas emoções e sentidos, para viver momentos de pura razão. Chega a ser cômico ver como existem pessoas devotas de uma pura razão que não existe.

Nós somos apenas um: corpo e mente, sentimento e razão, são a mesma entidade. Não se pode negar o sentidos, negar os sentimentos, negar as emoções para perseguir um ideal de razão pura, pois ele não existe e nunca existiu. Isso não só é algo sem sentido, como também vergonhoso.


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